Marconi Perillo

Cube Inteligência Política

Radar Eleitoral — Goiás 2026

24,4% → 24,4%

Os quatro meses perdidos e o mapa para sair do teto: a radiografia da disputa pelo governo de Goiás em 2026.

"Em política, os dados agregados mentem por omissão. O verdadeiro sinal não está no placar — está na curva que nenhum comentarista olhou."
Leitura CUBE sobre a Paraná Pesquisas GO-09885/2026

Data
22/04/2026
Instituto
Paraná Pesquisas
Amostra
1.310 eleitores
Margem
±2,8 p.p.
24,4%
Marconi — Abr/2026
Idêntico a Dez/2025
43,4%
Vilela — Abr/2026
+4,1pp em 4 meses
37,3%
Rejeição Marconi
3,2× a de Vilela
84,7%
Aprovação Caiado
Uniforme em todos os segmentos
Daniel Vilela
Daniel Vilela
MDB · Governador
43,4%
+4,1pp
Marconi Perillo
Marconi Perillo
PSDB · Ex-Governador
24,4%
0,0pp · estagnado
Wilder Morais
Wilder Morais
PL · Senador
11,5%
+2,3pp
Adriana Accorsi
Adriana Accorsi
PT · Deputada
9,2%
−3,7pp
O dado que a imprensa não sublinhou: entre dezembro de 2025 e abril de 2026, Marconi Perillo não variou um único ponto percentual. Permaneceu exatamente nos mesmos 24,4%. No mesmo intervalo, Vilela subiu 4,1pp, Wilder cresceu 2,3pp e Accorsi despencou 3,7pp. Todo o tabuleiro se mexeu. Só o segundo colocado ficou parado.

O Agregado que Engana

O número que viralizou foi "43,4 × 24,4" — gap de 19 pontos percentuais que sugere vitória em primeiro turno. Essa leitura confunde foto com filme.

Evolução — Dez/2025 → Abr/2026
Cenário estimulado · Paraná Pesquisas
Vilela (MDB)
Marconi (PSDB)
Wilder (PL)
Accorsi (PT)
CandidatoDez/2025Abr/2026Variação
Daniel Vilela (MDB)39,3%43,4%+4,1pp
Marconi Perillo (PSDB)24,4%24,4%0,0pp
Wilder Morais (PL)9,2%11,5%+2,3pp
Adriana Accorsi (PT)12,9%9,2%−3,7pp
Nenhum / Branco / Nulo8,1%6,3%−1,8pp
Para onde foram os 6,4pp disponíveis?
Saíram de Accorsi, indecisos e brancos/nulos. Vilela capturou 4,1pp. Wilder capturou 2,3pp. Marconi zero. Dentro do campo antigoverno — seu campo natural —, o ex-governador perdeu a hegemonia para Wilder.

Onde Marconi Tem Voto — O Eleitor Duro

A pesquisa desagregada revela com precisão cirúrgica onde o voto do ex-governador sobrevive. É um retrato demograficamente estreito.

SegmentoMarconiVilelaGap
Masculino23,6%45,6%−22pp
Feminino25,0%41,3%−16pp
16-24 anos20,2%42,9%−23pp
25-34 anos20,9%42,2%−21pp
35-44 anos23,6%44,8%−21pp
45-59 anos26,7%42,7%−16pp
60 anos ou mais27,9%44,2%−16pp
Ensino Fundamental29,1%42,0%−13pp
Ensino Médio24,2%44,1%−20pp
Ensino Superior18,9%43,9%−25pp
PEA (ativo)22,4%44,1%−22pp
Não-PEA28,7%41,8%−13pp
Foi a culto nos últimos 10 dias21,8%47,7%−26pp
Não foi a culto27,0%38,9%−12pp
Retrato do eleitor-duro de Marconi: mulher, acima de 60 anos, ensino fundamental, fora do mercado de trabalho, não-religiosa ativa. Eleitor-memória — quem viveu os governos Perillo (1999-2014) e guarda relação afetiva com o nome. Em nenhum segmento demográfico Marconi ultrapassa 30%.

Onde Marconi Não Existe — A Parede Contemporânea

18,9%
Ensino Superior
Gap de −25pp · pior nicho
21,8%
Religiosos Ativos
Gap de −26pp · maior da pesquisa
20,2%
Jovens 16-24
Gap de −23pp · sem memória afetiva
Ensino superior (pior nicho). No segmento com maior peso comunicacional — formadores de opinião, mídia, gestão pública, setores organizados — Marconi tem 18,9% contra 43,9% de Vilela. O eleitor escolarizado de Goiás é hoje, esmagadoramente, eleitor do palácio.
Religiosos praticantes (maior gap demográfico). Entre eleitores que foram a culto/missa nos últimos 10 dias, Vilela tem 47,7% e Marconi 21,8%. Entre não-religiosos, o gap cai para 12pp — a fronteira da religiosidade é hoje a fronteira mais dura entre Marconi e Vilela.
Jovens (sem memória afetiva). O eleitor que hoje tem 24 anos tinha 12 quando Marconi deixou o governo em 2014. A geração digital não tem conexão emocional com o nome.
O denominador comum: os três segmentos que mais crescem como parcela do corpo eleitoral goiano. Tempestade demográfica perfeita.

Espontânea — A Marca Sem Conexão

Se a estimulada mede reconhecimento, a espontânea mede conexão ativa — quantos eleitores lembram do candidato sem provocação.

Daniel Vilela
13,1%
Lembrado espontaneamente por 1 em cada 7,6 eleitores.
Marconi Perillo
5,9%
Lembrado espontaneamente por 1 em cada 17 eleitores. Quase desaparece quando o eleitor não é incitado.
A vantagem estimulada de 24,4% é voto de marca, não de conexão — reconhecimento passivo do nome histórico, sem ocupação ativa na cabeça do eleitor. Em campanha formal, voto de marca é o primeiro a ser corroído: o adversário constrói conexão e o incumbente da memória perde terreno.
Voto de marca é teto. Voto de conexão é piso. Leitura CUBE · Radar Eleitoral Goiás 2026

A Parede Caiado — 84,7% Uniforme

Qualquer estratégia de desgaste contra Vilela esbarra em parede estrutural: a avaliação da gestão Caiado é 84,7% de aprovação, com 74,5% classificando como ótima ou boa e apenas 7,9% como ruim ou péssima.

Série Histórica — Aprovação Caiado
Paraná Pesquisas · Jun/2023 → Abr/2026

Aprovação uniforme por segmento

A aprovação de Caiado varia entre 83,3% (ensino superior) e 86,2% (ensino médio). Não há nicho demográfico em que Caiado seja mal avaliado. Até entre os 16-24 anos, a aprovação é de 83,3%. Vilela não é candidato autônomo — é o herdeiro de uma gestão que o eleitorado considera bem-sucedida.
Implicação tática: toda energia gasta em "desconstruir Caiado" ou em descolar Vilela da herança é energia desperdiçada. Não há brecha por dentro da herança.

A Rejeição — Parede Interna do Próprio Marconi

Se a parede Caiado é o teto externo, a rejeição é a parede interna. Marconi tem rejeição 3,2× maior que a de Vilela — e a queda foi de apenas 1,9pp em quatro meses.

Marconi Perillo37,3%
Adriana Accorsi21,6%
Wilder Morais13,4%
Daniel Vilela11,7%
Pior: a rejeição é maior exatamente onde o voto é menor. Entre eleitores com ensino superior, Marconi tem 18,9% de intenção e 41,7% de rejeição. Para cada voto de Marconi no segmento mais influente, há 2,2 eleitores que afirmam nunca votar nele. Teto duro.

O Inimigo Errado — A Batalha Que Se Desenha

A narrativa pública coloca Marconi × Vilela como o duelo central. Os dados sugerem outro quadro.

Movimento no campo antigoverno · Dez/2025 → Abr/2026
Marconi Perillo
Estagnado
Marconi Perillo (PSDB)
0,0pp
24,4% em Dez/2025 · 24,4% em Abr/2026. Nenhum voto novo capturado em quatro meses de dinâmica política intensa.
Wilder Morais
Em ascensão
Wilder Morais (PL)
+2,3pp
9,2% em Dez/2025 · 11,5% em Abr/2026. Disputa o mesmo nicho antigoverno com vantagem de crescimento.
Se a projeção linear se mantiver até agosto, Wilder chega a aproximadamente 14% e Marconi permanece em 24%. A distância cai para patamar de empate técnico em cenário de campanha. A partir daí, Wilder passa a contaminar o voto útil antigoverno — mecanismo clássico de derrota por fragmentação.
Marconi gasta energia brigando com o palácio enquanto perde o flanco por baixo. Definição técnica de inimigo errado. Leitura CUBE · Radar Eleitoral Goiás 2026

Leitura de Inteligência CUBE

Três leituras sucessivas, cada uma mais profunda que a anterior:

1

Leitura Convencional

"Marconi está 19pp atrás. Precisa atacar Vilela e recuperar o terreno."
Problema: Vilela tem 11,7% de rejeição, blindado por 84,7% de aprovação de Caiado. Ataque direto esbarra na parede.

2

Segundo Nível

"Marconi precisa descolar Vilela de Caiado e construir crítica à continuidade."
Problema: aprovação uniforme em todos os segmentos. Não há nicho por onde furar. Energia desperdiçada.

3

Inversão CUBE

Marconi não está perdendo para Vilela. Está congelado dentro do próprio campo. O adversário real no 1º turno não é o palácio — é Wilder Morais. E o adversário real em qualquer turno é o próprio Marconi: marca sem conexão, eleitor-duro envelhecido e minguante, rejeição uniforme, ausência em ensino superior, jovens e religiosos ativos.

A Frase Que Define a Eleição
A disputa de 2026 em Goiás não é Marconi × Vilela.
É Marconi × Marconi — e o tempo joga contra.

Implicações Táticas

Pergunta Certa

  • Não é "como atacar Vilela?"
  • É "como tirar Marconi do teto?"
  • Pergunta de reposicionamento, não de adversário

Janela Crítica

  • 120 dias até agosto
  • Após propaganda oficial, mudar patamar custa mais
  • Estrutura cristaliza em campanha formal

Batalha do Flanco

  • Reconquistar hegemonia antigoverno antes do 2º turno
  • Perder espaço para Wilder = maior risco
  • Fragmentação é mecanismo clássico de derrota

Reposicionamento > Visibilidade

  • Mais Marconi do jeito atual = mais 24,4%
  • Exposição sem mudança de oferta consolida rejeição
  • Foco em 3 nichos: jovens, superior, religiosos ativos

Não é Subir. É Deslocar.

Quatro meses de esforço sem mexer o ponteiro significam uma coisa: a campanha que está em curso não tem mecanismo de captura. Fazer mais do mesmo — mais agenda, mais exposição, mais volume — é gastar munição onde o alvo não está. A saída não é quantitativa. É geográfica: precisa mudar quem vota em Marconi, não quantos.

A pergunta de reposicionamento
O eleitor que hoje vota em Marconi já vota. O que sobra — jovem, escolarizado, religioso ativo — não responde à oferta atual.
Então a pergunta certa é: qual Marconi eles precisariam conhecer para votar?

Os três movimentos do deslocamento

1. Parar o que não funciona

Exposição tradicional testada por 4 meses com zero retorno é custo sem conversão. Antes de construir o novo, identificar e cortar o que está queimando recurso sem mover base. Campanha por volume consolida quem já decidiu — não captura quem ainda não decidiu.

2. Reocupar a ideia de "Marconi"

O nome tem reconhecimento (24,4% estimulada) mas não tem conteúdo ativo (5,9% espontânea). Nos três nichos de ausência, o espaço mental está vazio — não tomado pelo adversário. Isso é diferente de ter que disputar território: é um terreno a construir, não a conquistar.

3. Emprestar vozes para entrar

Marconi não fala nativamente com jovem de 22 anos, com religioso praticante, com eleitor de ensino superior em Goiânia. Precisa de pontes — figuras, linguagens e pautas que já habitam esses nichos e possam carregar a marca para dentro. A mensagem vai pela ponte, não pelo candidato.

A reposição não vem do volume. Vem da precisão.
Campanha maior não resolve o problema de Marconi. Campanha mais cirúrgica resolve. Leitura CUBE · O Caminho

O que a CUBE faz nessa janela

Os três movimentos acima exigem inteligência de dados aplicada ao eleitor: radar demográfico fino para localizar onde cada nicho está, teste de mensagem antes de investimento de mídia, e mapeamento das pontes viáveis (quem fala para quem, em qual formato, com qual custo de conversão). É nesse terreno — entre a decisão estratégica e a execução — que a CUBE opera. O trabalho começa antes da primeira peça ir ao ar.

Cenários 2026

55%

Cenário A — Estagnação Linear

Marconi mantém 24-26% até agosto. Wilder cresce para 14-15%. Vilela consolida 45-48%. Desfecho: Vilela vence em primeiro turno. Mais provável se nada mudar.

25%

Cenário B — Recuperação Parcial

Marconi reposiciona comunicação para capturar ensino superior e segmento religioso, atinge 28-30% em agosto. Segundo turno em posição frágil (−15pp), mas jogo aberto.

12%

Cenário C — Consolidação Contra-hegemônica

Marconi converte o campo antigoverno, absorve parte de Wilder, chega a 32-35%. Segundo turno competitivo, exige transferência do campo Wilder + fadiga do governo.

8%

Cenário D — Colapso Antigoverno

Wilder cresce acima da projeção (16-18%), Marconi cai para 21-22%, Accorsi recupera para 12%. Fragmentação total. Vilela vence em 1º turno com 50%+.

Fator-chave A → B

Capacidade de Marconi em abril-junho/2026 de construir mensagem e figura nova nos três nichos de rejeição — jovens, ensino superior, religiosos ativos. Não é volume. É reposicionamento percebido.

Cronograma Crítico

07/04/2026

Divulgação Paraná Pesquisas GO-09885/2026 — registro do patamar atual.

Abril-Junho/2026 · Janela Crítica

90-120 dias de janela real de reposicionamento. Última oportunidade de mudar a curva antes da pré-campanha formal.

Junho/2026

Convenções e pré-registros. Consolidação dos quadros estaduais.

05/08/2026 · Fechamento da Janela

Início oficial da propaganda eleitoral. Fim da janela de alteração estrutural.

Agosto/2026

Primeira rodada de pesquisas com propaganda — verificação se o reposicionamento funcionou.

02/10/2026 · Dia D

Eleição 1º turno. Definição se há 2º turno.

Verdade Convencional × Verdade Estrutural

DimensãoVerdade ConvencionalVerdade Estrutural
Placar"Vilela lidera com 43,4 × 24,4"Marconi estagnado em 24,4% há 4 meses
Adversário"Marconi × Vilela"Marconi × Marconi (com Wilder por baixo)
Ataque"Desgastar a continuidade Caiado"Parede uniforme 84,7% — sem brecha
Eleitor-alvo"Conquistar o antigoverno"Wilder já está dentro e crescendo
Religiosos"Disputar voto evangélico"Já perdido — gap de 26pp
Ensino superior"Formador de opinião"Pior nicho — 18,9% / 41,7% rejeição
Rejeição"Cai com exposição"Caiu 1,9pp em 4 meses — estrutural
Marca"Nome conhecido é vantagem"Sem conexão — voto de marca é teto
Tempo"Ainda há muito tempo"90-120 dias de janela real
Conclusão
24,4% → 24,4%. Esse é o dado que define a eleição.
Se não mudar até agosto, o jogo é de Vilela em primeiro turno — e o flanco é do Wilder.

Fontes: Paraná Pesquisas — TSE n.º GO-09885/2026, coleta 01-03/04/2026, 1.310 eleitores em 60 municípios, margem 2,8pp, confiança 95%; série histórica Jun/2023 → Abr/2026 (avaliação Caiado); comparativo Dez/2025. Portal Alego, Jornal Opção, CartaCapital, Metrópoles, CNN Brasil, Gazeta do Povo.